Sombra ao Sol
Para quem precisa de sombra para os sois que nos afectam no dia-a-dia...
Segunda-feira, Setembro 22, 2008
Domingo, Setembro 21, 2008
Pode-se estar perdidamente apaixonado pela letra de uma música?
Tanto pode que estou. Ouvi este "Movimento Perpetuo Associativo" de uma banda chamada Deolinda Lisboa, juntamente com a proposta da banda em transforma-la em novo hino nacional. A letra, para esse feito, é tão perfeita, que eu vou ali á janela ao lado reservar um bilhete para o espectáculo deles na Aula Magna, só porque a paixão não se explica :)
Absolutamente fantástico.
O melhor papel da vida do Xor Cruise é neste filme:

Só a sua interpretação do produtor de cinema Lev Grossman vale os 5 (até valia 10!) euros. Eu, que nunca gostei dele, rendi-me. Se é para voltar assim, que volte mais e mais e mais e mais vezes!
Sábado, Agosto 23, 2008
Estão a fazer tudo para que eu volte para a frente do televisor feito lapa:
Assim de repente, decidiram voltar com o Domingo Desportivo e a Roda da Sorte, os dois grandes programas da minha infância/terna juventude. Metam os Jogos Sem Fronteiras e não se fala mais nisso.
Segunda-feira, Julho 28, 2008
"The brick walls are there for a reason. The brick walls are not there to keep us out; the brick walls are there to give us a chance to show how badly we want something."
Randy Pausch era um professor de informática na CMU, uma das mais importantes universidades do mundo. Foi-lhe diagnosticado um cancro terminal e deu uma última aula que correu mundo via Youtube. O seu exemplo de mensagem optimista e verdadeiramente cristã na maneira como lidou com a dificuldade foi, e é, uma inspiração para muitos. Esta última aula (uma tradição académica para os professores que se retiram) é magnífica e só a vendo se percebe o alcance dela (é muito alegre, não se assustem). Outro dia vi na FNAC o livro (A última aula, ed. Presença) que este professor fez em conjunto com um jornalista do WSJ, baseado nesta aula. Sem querer violar nenhum direito de autor, hoje, no caminho para casa, li isto:
13.
O homem do descapotável
Certa manhã, muito depois de me ter sido diagnosticado o cancro, recebi um e-mail de Robbee Kosak, a vice-presidente para o desenvolvimento da Carnegie Mellon. Ela contou-me uma história.
Disse que na véspera seguia no seu carro para casa e acabou por ficar atrás de um homem num descapotável. Estava uma noite agradável de início de Primavera e o homem tinha a capota e todas as janelas baixas. O braço estava dependurado sobre a porta do condutor e os dedos tamborilavam, acompanhando a música que tocava no rádio. A cabeça também balouçava, com o cabelo ao vento.
Robbee mudou de faixa e aproximou-se um pouco. De lado podia ver o homem que esboçava um sorriso, o tipo de expressão com que ficamos quando estamos sozinhos, felizes e perdidos nos nossos pensamentos. Robbee deu com ela a pensar: "Uau, isto é o paradigma de alguém a apreciar o dia e o momento."
O descapotável acabou por virar na esquina e foi então que Robbee pôde ver o rosto do homem. "Ó meu Deus", exclamou para si, "É o Randy Pausch!".
Ficou espantada por me ver. Sabia que o diagnóstico de cancro era terrível. Mesmo assim, segundo disse no e-mail, ficou comovida com o ar contente que eu tinha. Era óbvio que naquele momento privado estava bem-disposto. Robbee escreveu na sua mensagem: "Não fazes ideia de como o facto de te ter visto me alegrou o dia, recordando-me do que a vida deve ser."
Li o e-mail de Robbee várias vezes. Acabei por o considerar uma espécie de fim de ciclo.
Nem sempre tem sido fácil continuar positivo ao longo do meu tratamento. Quando sofremos um problema clínico grave, é difícil sabermos como verdadeiramente nos sentimos a nível emocional. Interrogara-me se parte de mim estaria a representar quando me encontrava com outras pessoas. Talvez ocasionalmente me forçasse a parecer forte e animado. Muitos doentes de cancro sentem-se obrigados a exibir uma máscara de coragem. Estaria eu a fazer o mesmo?
Mas Robbee vira-me num momento vulnerável. Gostaria de pensar que me viu tal como sou. É garantido que me viu como eu estava nessa noite.
A mensagem resumia-se a um parágrafo, mas significou muito para mim. Dera-me uma janela para o meu ser. Continuava empenhado. Ainda sabia que a vida era boa. Estava bem.
"We cannot change the cards we are dealt, just how we play the hand. If I don't seem as depressed or morose as I should be, I'm sorry to disappoint you."
Este livro é mesmo único.
Randy Pausch morreu na 6ª feira passada.
Quarta-feira, Junho 25, 2008
Terça-feira, Junho 24, 2008
Sentir os mortos - hoje senti o meu Pai presente. É engraçada a tendência que os humanos têm em ver conforto nos que já partiram - sobretudo nas datas importantes. São as possibilidades, de facto.
Não o vou celebrar, porque não é de meu timbre celebrar. Provavelmente haverá uma festa algures, um dia destes. Irei. Mas há vários dias que está na minha cabeça um texto que publicarei aqui em breve sobre isto - já tem título: As possibilidades dos humanos. Essa sim, será a minha festa.
O facto de hoje acontecer é uma vitória sobre a improbabilidade. Que hoje aconteça é um milagre, não servirá para canonizar ninguém, mas que é um milagre, não duvido.
Hoje estão comigo todas as pessoas, todos os momentos, todas as memórias do que passei para que este dia fosse possível. Vou-o celebrar com muito menos gente do que aquela que está envolvida. É uma questão de perda, e da marca da perda e de como a perda foi uma constante ao longo destes momentos. É uma lembrança próxima da angústia. A saudade. Saudade. Saudade do futuro.

